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	<title>Traduções Improváveis &#187; Poesia</title>
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	<description>Um tradutor gaúcho em meio aos húngaros.</description>
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		<title>Traduções Improváveis &#187; Poesia</title>
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		<title>Novo Poema: Tandori Dezső</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2007 00:02:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Braga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Hungria]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poema]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Tandori Dezső]]></category>
		<category><![CDATA[Tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta atualização já estava virando lenda. Mas pudera: o poema que tivemos de traduzir deu trabalho de sobra. O professor fez vários comentários sobre a artificialidade da linguagem, para que atentássemos a mantê-la na tradução. Apesar da esquisitice e do jeito de dizer as coisas metendo os pés pelas mãos, acho que o poema agora [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=traducoesimprovaveis.wordpress.com&blog=814768&post=8&subd=traducoesimprovaveis&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:18pt;">Esta atualização já estava virando lenda. Mas pudera: o poema que tivemos de traduzir deu trabalho de sobra. O professor fez vários comentários sobre a artificialidade da linguagem, para que atentássemos a mantê-la na tradução. Apesar da esquisitice e do jeito de dizer as coisas metendo os pés pelas mãos, acho que o poema agora está, de fato (e finalmente, após um sem-número de revisões!), em português.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:18pt;">A propósito: as ruas citadas no poema existem, todas. Detesto traduzir nomes de lugares, mas no caso me convenci de que era necessário, pois há trocadilhos e subentendidos que dependem de que o leitor entenda o nome das ruas. Na única ocorrência de um nome que parece não ter significado especial, mantive-o em húngaro, para manter o gosto estrangeiro.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:18pt;">Sobre a divisão dos versos: o original não tem esquema métrico aparente. Eu, pelo menos, não achei lógica nenhuma, nem contando a quantidade das sílabas (que é a tradição húngara), nem contando as sílabas métricas. Assim, dividi-os de forma a manter aproximadamente o conteúdo de cada verso do original, mantendo os cortes em lugares esquisitos, justo antes de terminar certas frases, e outros expedientes esquisitos, como começar um verso com travessões parentéticos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:18pt;">E chega de trololó. Ao poema.</p>
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><strong><span style="font-size:18pt;">Acontece assim e assado</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">(“Így is, úgy is törtenik”)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">Poema de <em>Tandori Dezső</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">Tradução de <em>Guilherme da Silva Braga</em></p>
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal">Ao sair do barbeiro – comecemos assim – era preciso atravessar</p>
<p class="MsoNormal">ou cortar o meio da rua, cortar a tal da rua principal</p>
<p class="MsoNormal">ao meio. Então rumo a uma passagem, de modo a sair por outra</p>
<p class="MsoNormal">passagem na tal de rua Jégverem. Claro, eu bem podia</p>
<p class="MsoNormal">ter dado a volta no quarteirão, ou melhor: não teria</p>
<p class="MsoNormal">sido necessário entrar pela passagem de um quarteirão e</p>
<p class="MsoNormal">sair pela outra. No entanto, assim pude estar lá dentro</p>
<p class="MsoNormal">– até quando? –, o que, de cabelo recém-cortado, foi de certa forma</p>
<p class="MsoNormal">vantajoso. No portão de saída pude – por quanto tempo? – tomar as</p>
<p class="MsoNormal">rédeas da situação; mas o cabelo lambido seca devagar, e assim</p>
<p class="MsoNormal">a operação desgrenhante a ser empreendida em casa não era antecipável;</p>
<p class="MsoNormal">não que pudesse ser adiada! Atualmente na tal de rua do Ataque</p>
<p class="MsoNormal">essa operação necessária mais ou menos de quatro em quatro</p>
<p class="MsoNormal">semanas é levada a cabo mais ou menos de seis em seis. A ocasião</p>
<p class="MsoNormal">faz-se acompanhar de um banco, lá fora, que por ora fica para</p>
<p class="MsoNormal">contemplação, mas a qualquer momento pode “cair bem” uma sentada;</p>
<p class="MsoNormal">faz-se acompanhar de um sorvete, talvez da satisfação de necessidades</p>
<p class="MsoNormal">postais. A desarrumação do cabelo cortado, minguado,</p>
<p class="MsoNormal">seco – ao sair –, as compras, o rosto parecendo mais</p>
<p class="MsoNormal">gorducho, o sentimento mais anguloso; os dois opostos</p>
<p class="MsoNormal">irreconciliáveis. Era sempre assim. Da tal rua do Túnel</p>
<p class="MsoNormal">seguimos reto e adentramos seu designante, que – no entanto</p>
<p class="MsoNormal">– jamais estivera tão iluminado quanto agora! Cravejado</p>
<p class="MsoNormal">de pequenos não-sei-o-quês. Não sei</p>
<p class="MsoNormal">(para que eu me repita) se hoje gosto mais do</p>
<p class="MsoNormal">treino em passagens escuras ou desta marcha triunfal;</p>
<p class="MsoNormal">digamos apenas que é possível; que um foi então,</p>
<p class="MsoNormal">e se tivermos sorte, o outro: ainda antes.</p>
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